-
Como escolher as atividades certas para a intervenção psicopedagógica
Existe um hábito comum, e sedutor, entre profissionais que estão começando na clínica: abrir o Pinterest, o Instagram ou um banco de atividades prontas, escolher algo que parece bonito, lúdico, “criativo”, e levar para a sessão seguinte. A criança gosta, a sessão flui bem, todo mundo sai satisfeito.
O problema é que “a criança gostou” e “a atividade produziu evolução real” são coisas completamente diferentes. E é justamente aí que mora um dos erros mais silenciosos da nossa prática: escolher atividades pela aparência, não pela função que elas efetivamente trabalham.
-
Como desenvolver raciocínio clínico na psicopedagogia
Existe uma pergunta que separa duas profissionais completamente diferentes, mesmo que as duas usem os mesmos testes, os mesmos protocolos, os mesmos materiais de avaliação. A pergunta é: você sabe explicar por que escolheu cada instrumento, cada hipótese, cada estratégia de intervenção, ou você está seguindo um roteiro que aprendeu em algum curso, sem entender totalmente o raciocínio por trás dele?
Se a resposta te incomodou um pouco, seja bem-vinda a essa conversa. Porque é exatamente sobre isso que quero falar hoje: o que é, de fato, raciocínio clínico, por que ele importa mais do que qualquer teste ou protocolo isolado, e como desenvolvê-lo de forma deliberada, não por acaso, ao longo da carreira.
-
Plasticidade Cerebral e Aprendizagem: o livro que mudou a forma como conduzo minhas intervenções
Existem livros técnicos que você lê, aprende, arquiva na estante e segue em frente. E existem livros que mudam, de fato, o jeito como você trabalha no dia a dia do consultório. Plasticidade Cerebral e Aprendizagem, organizado por Newra Tellechea Rotta, César Augusto Bridi Filho e Fabiane Romano de Souza Bridi, é dessa segunda categoria para mim.
Foi um dos livros que estudamos no Clube do Livro da Plataforma Mais Psicopedagogia, e posso dizer, sem exagero, que ele enriqueceu profundamente a minha prática clínica. Foi a partir da leitura de um dos capítulos, inclusive, que passei a incorporar a estratégia das maquetes na intervenção, algo que trouxe resultados muito ricos com meus pacientes
-
Efeito Dunning-Kruger na Psicopedagogia: como não virar (nem seguir) quem fala bobagem com convicção
Repare num padrão: quem sabe pouco sobre um assunto, e teve acesso a poucas perspectivas diferentes sobre ele, tende a achar que aquele pouco que conhece é toda a realidade sobre o tema. Essa sensação de completude gera segurança. E segurança gera vontade de falar, com convicção, sobre qualquer coisa relacionada àquele assunto.
Quanto mais você estuda de verdade um tema, o efeito é o oposto: cada camada nova de estudo revela mais possibilidades de enxergar o mesmo fato, mais nuances, mais exceções, mais “depende”. Isso não te deixa mais insegura no sentido ruim da palavra. Te deixa mais prudente. E, curiosamente, faz você falar menos com a certeza absoluta que caracteriza quem ainda está na superfície do assunto.
Esse fenômeno tem nome: efeito Dunning-Kruger. E ele é especialmente perigoso para quem trabalha com terapias, incluindo a psicopedagogia e a neuropsicopedagogia.
-
Você não vai sobreviver na Psicopedagogia se não enxergar seu consultório como um negócio
Você fecha uma avaliação impecável. Investigou direito, levantou hipótese, confirmou, entregou uma devolutiva clara. A família sai satisfeita, agradece, elogia seu trabalho. E aí, algumas semanas depois… some. Não volta para a intervenção, não responde mensagem, e você fica sem entender o que aconteceu.
Se isso já aconteceu com você, não está sozinha: é uma das situações mais frequentes que ouço em supervisão. E ela mexe com a gente de um jeito que vai muito além do financeiro. Pesa saber que você identificou o problema, sabia exatamente como ajudar, e aquele paciente não vai receber o cuidado que precisava.
-
Transição de carreira para psicopedagogia: guia completo
A maioria das profissionais da educação busca a psicopedagogia com um objetivo claro: viver exclusivamente do consultório, sem depender mais da sala de aula.
É um objetivo legítimo e, na minha experiência acompanhando centenas de profissionais nessa jornada, também é um dos objetivos mais mal planejados da nossa área. Não por falta de competência clínica, mas porque a transição para chegar lá costuma ser tratada como um evento (fazer a especialização, montar uma sala) em vez de um processo (planejamento e execução deliberada ao longo do tempo). O resultado mais comum é: a profissional se especializa, monta um consultório, e descobre, muitas vezes de forma dolorosa, que saber avaliar e intervir clinicamente não é a mesma coisa que saber se sustentar financeiramente só com isso.
Antes de entrar no planejamento prático, vale uma ressalva importante: esse guia parte do princípio de que você já entende com clareza a diferença entre trabalho pedagógico e trabalho psicopedagógico, fundamento que também é comum ficar embaçado justamente em quem vem da educação. Se esse não for o seu caso ainda, recomendo começar por Pedagogia x Psicopedagogia: qual a diferença (e por que isso muda todo o seu atendimento) antes de seguir com o planejamento abaixo.

-
Pedagogia x Psicopedagogia: qual a diferença (e por que isso muda todo o seu atendimento)
A maioria das psicopedagogas e neuropsicopedagogas que atendo e formo não se formou em Psicopedagogia na graduação. Vieram de outro lugar — na maioria das vezes, da Pedagogia ou de uma licenciatura — e fizeram uma especialização depois, buscando ampliar a atuação e, muitas vezes, migrar para o consultório.
E é exatamente aí que mora um risco silencioso, que atravessa boa parte da nossa profissão sem que a gente perceba: muitas dessas profissionais nunca deixam de ser pedagogas. Só passam a chamar o que fazem de “atendimento psicopedagógico”.
Não é uma crítica — é uma constatação de algo estruturalmente compreensível. Quando alguém passa anos formada e atuando como professora, o repertório de ensinar se torna automático, quase instintivo. E quando essa mesma pessoa entra num consultório, pela primeira vez sem uma turma de 30 alunos e um currículo a cumprir, o caminho mais natural é recorrer ao que ela já sabe fazer bem: ensinar. O problema é que ensinar e promover aprendizagem, embora pareçam sinônimos no senso comum, são processos fundamentalmente diferentes — e essa diferença muda tudo sobre como conduzimos um atendimento.




















